quinta-feira, 3 de abril de 2014

O JEJUM

Pr Dinelcir de Souza Lima

Nos dias atuais tem sido dada uma ênfase muito grande entre os chamados evangélicos a um comportamento religioso que se convencionou chamar de jejum. A prática tornou-se motivo de proclamações em púlpitos ou de palestras pessoais e de anúncios em grandes veículos de comunicação que incentivam e conclamam pessoas a dedicarem noites, dias, semanas ou metades de dias ao jejum, sempre sendo apontado como um excelente meio de crescimento espiritual, conquista de poder pessoal e benefícios divinos. Ultimamente tem sido divulgado até como se fosse eficiente para a salvação de povos e sociedades de um modo geral. Tornou-se comum encontrarmos pessoas se vangloriando de serem muito espirituais e, até mesmo mais espirituais que outras pessoas, por praticarem sistematicamente o jejum. A prática deste tipo de sacrifício pessoal se tornou quase que uma obrigação para quem deseja alcançar algum tipo de bênção.
No entanto, seria mesmo uma verdade bíblica que o jejum nos possibilita maior espiritualidade, que nos torna mais santos, ou que faz com que Deus ouça melhor nossas orações? Ficar sem ingerir alimentos daria ao servo de Cristo maior poder espiritual? Os cristãos deveriam incentivar tais costumes criando grandes movimentos de jejum nas igrejas? São questões que podem e precisam ser discutidas e esclarecidas à luz dos ensinamentos de Jesus, que é o autor da nossa salvação e o nosso Senhor, e à luz de todo o contexto bíblico.

domingo, 23 de março de 2014

A FAMÍLIA E A IGREJA

Pr. Dinelcir de Souza Lima
Sempre encontramos na Bíblia uma estreita relação entre famílias e povo de Deus e é relativamente fácil compreendermos a razão disso: Deus instituiu a família como primeira célula da sociedade humana; a igreja é composta de seres humanos (regenerados, porém humanos) logo a igreja é composta, em sua grande parte, de famílias.
Neste estudo não vamos nos prender a exemplos de laços familiares com a formação do povo de Deus no Antigo Testamento, porquanto alguém poderia argumentar que naquele tempo ainda não existia a igreja de Cristo. Por isso vamos nos deter em exemplos e ensinamentos contidos somente no Novo Testamento.
 JESUS CRISTO PRESTIGIOU A FAMÍLIA
Jesus é o Senhor da igreja. Ele prestigiou a família durante o seu ministério no mundo através de atos e ensinamentos que são irrefutáveis. Enumeramos alguns.
1. Jesus nasceu no seio de uma família. Às vezes fico a pensar em como Deus poderia ter enviado Jesus fazendo com que ele nascesse de uma jovem solteira, já que não nasceu através da fecundação natural entre a semente do homem e a da mulher. Não houve a participação de José na geração de Jesus em Maria. Ele foi gerado pelo Espírito Santo. No entanto Deus o colocou em uma família e ele era perfeitamente identificado com a sua família (Mr 3.32; Lc 4.22; Jo 1.45; 6.42). Se Jesus nascesse de uma jovem solteira nunca seria benquisto na sociedade judia. Seria olhado como alguém que teria nascido em situação irregular, perante Deus e a sociedade. No entanto, Deus valorizou a família ao fazer Jesus nascer e crescer no seio de uma família. Valorizou o que ele próprio instituiu. Se Jesus nasceu e cresceu dentro de uma família, fica difícil compreender uma pessoa que se diga cristã, que seja membro de uma igreja de Cristo, que não valorize essa instituição divina, primordial para o crescimento espiritual e social, e é fácil compreender que precisamos valorizá-la, envidando todos os esforços para preservá-la.
2. Jesus praticou atos que valorizaram as famílias. Os quatro Evangelhos registram seus atos, sendo que o primeiro registro que temos é o de quando ficou em Jerusalém, ainda menino, discutindo no templo com os doutores da Lei. Convocado pelos pais para retornar para casa com eles, após argumentar que era necessário cuidar dos negócios do Pai celestial, poderia ter dito que continuaria ali. Porém, deixou de lado o que estava fazendo e os obedeceu, seguindo-os de volta (Lc 2.40-51). Outros exemplos são a sua participação nas festividades de um casamento, onde realizou o seu primeiro milagre (Jo 2.1-12); a frequência à casa de uma família que era sua amiga, a de Lázaro (Lc 10.38; Jo 11.5); a frequência à casa de Pedro, em uma das ocasiões curando a sogra dele (Lc 4.38); o da ressurreição do único filho da viúva de Naim, restituindo àquela mulher o bem mais precioso que possuía; e, estando à morte na cruz, se preocupou em deixar sua mãe com um filho que cuidasse dela, passando sua filiação a João (Jo 19.26,27).
3. Jesus deixou ensinamentos preciosos a respeito de laços familiares. No seu discurso que ficou conhecido como “O Sermão da Montanha”, proferido logo no início do seu ministério, Jesus deixou ensinamentos claros a respeito da convivência dos cônjuges (Mt 5.31,32); em outra ocasião, criticou os fariseus porque não honravam a seus pais através do sustento, encontrando desculpas religiosas (Mr 7.9-13); e proferiu, novamente, ensinamentos a respeito do relacionamento conjugal (Mt 19.3-12).
É fácil assimilarmos a verdade de que se aquele que é a cabeça da igreja prestigiou tanto a família, é lógico que seu corpo, a igreja, também prestigie.
A IGREJA NASCEU E CRESCEU EM AMBIENTES FAMILIARES
Os Evangelhos e o livro de Atos dos Apóstolos registram alguns acontecimentos que mostram como a igreja de Cristo nasceu e cresceu em ambientes familiares, dos quais destaco alguns.
1. Lucas 22.7-14 (e textos sinóticos), onde está registrada a instituição da Ceia pelo Senhor Jesus Cristo, como um memorial do Novo Testamento , em um cenáculo (que era o terraço superior de uma casa) emprestado por um chefe de família.
2. Atos 1.13,14. Mostra os discípulos de Jesus, logo após a sua subida aos céus, reunidos também em um cenáculo, onde perseveravam congregados, unânimes, em oração. Provavelmente tenha sido naquele lugar que aconteceu a manifestação do Espírito Santo, registrada em Atos 2.1-4, anunciada por Jesus como sendo o batismo do Espírito Santo para a sua igreja.
3. Atos 16.13-15. Narra a conversão, na cidade de Filipos, de uma mulher com toda a sua casa e o convite insistente em hospedar o apóstolo Paulo e sua comitiva missionária.
4. Atos 16.23-34. Ainda na cidade de Filipos, preso, o apóstolo Paulo anuncia o evangelho ao carcereiro, que se converte com toda a sua família e recebe o apóstolo em sua casa, onda a família toda se alegra com a presença do servo de Cristo.
5. Atos 18.1-8. O texto registra o apóstolo Paulo conhecendo uma família temente a Jesus, em Corinto, e indo morar em seu lar. Encontramos, também, o registro do apóstolo pregando na casa de um homem que morava ao lado de uma sinagoga e da conversão do chefe da sinagoga e de toda a sua família.
6. Atos 20.6-12 registra a estada do apóstolo Paulo em Filipos, reunido com a igreja daquela cidade, em uma casa de família, pregando e participando de uma comemoração da Ceia.
E poderíamos citar tantos outros textos, como, por exemplo, o da conversão do centurião Cornélio e toda a sua família ou, ainda, os que registram a ajuda do casal Áquila e Priscila no ministério do apóstolo Paulo. Sem dúvida alguma o surgimento e o crescimento da igreja de Cristo estão intimamente ligados a laços e situações familiares.
OS APÓSTOLOS DE JESUS, FUNDAMENTOS DA IGREJA, DEIXARAM ENSINAMENTOS SOBRE A FAMÍLIA
Pelo menos dois desses apóstolos deixaram ensinamentos preciosos sobre comportamentos familiares. Os do apóstolo Paulo estão registrados em Efésios 5.22-33; 6.1-4 e Colossenses 3.18-21; e os do apóstolo Pedro em 1Pedro 3.1-7. Neles vamos encontrar ensinamentos preciosos a respeito do relacionamento dos maridos com as esposas, das esposas com os maridos, dos pais com os filhos e dos filhos com os pais. Ensinamentos de grande importância para a boa convivência familiar e que envolvem, também, a vida cristã.
CONCLUINDO

Estudando o Novo Testamento percebemos que não há como separar a importância da família e da igreja de Cristo. Há uma interação constante e natural. A igreja começou em lares convertidos ao Senhor Jesus e continuou crescendo sob os cuidados de pessoas com suas famílias e com a conversão de famílias inteiras através da pregação do evangelho de Jesus Cristo. Essa interação constante e natural fez com que os apóstolos deixassem ensinamentos que, se observados, trazem o equilíbrio da família e, consequentemente, da igreja. Famílias equilibradas, tementes a Deus, obedientes aos princípios divinos, formam igrejas também equilibradas e tementes a Deus. Cabe a nós, servos de Cristo, sermos obedientes aos ensinamentos de Cristo e seus apóstolos e perseverarmos nesses ensinamentos, a fim de que as igrejas de Cristo cresçam fortes e atuantes na sociedade que vivemos.

sexta-feira, 21 de março de 2014

A FAMÍLIA INSTITUÍDA POR DEUS

Pr Dinelcir de Souza Lima
O que é a família? Ou, como deve ser composta uma família? Nos dias atuais, principalmente em nosso país, está cada vez mais difícil de definir família. Políticos e profissionais de comunicação, principalmente da TV de maior audiência em nosso país, se empenham em deteriorar o conceito de família e, consequentemente, fazer desaparecer a família como foi instituída por Deus.
Há um projeto de lei tramitando no Congresso que, dentre outras aberrações, tenta retirar dos registros de nascimento as expressões “pai” e “mãe”, isto porque a “justiça” brasileira já está começando a permitir que dois homens ou duas mulheres adotem filhos como se fosse um casal, em uma demonstração de loucura total, já que casal é a união entre um macho e uma fêmea.
A mídia incentiva isso e muitas outras deturpações da família, principalmente através de telenovelas que insistem em inculcar verdadeiras aberrações na mente do povo como se tudo fosse muito natural. A TV criou e divulga insistentemente o conceito de “diferente, mas normal” e difunde coisas que não são naturais como se fossem apenas diferentes. Não é normal uma criança ser criada por “um casal” de dois homens ou por duas mulheres. É diferente e anormal.
Como a família é o primeiro grupo comunitário de uma sociedade, a célula matricial, os iníquos tentam levar a iniquidade até a totalidade da sociedade, literalmente detonando a família. Crianças criadas e instruídas por pessoas de costumes fora dos padrões divinos e, portanto, pecaminosos, dificilmente conseguirão romper os costumes e ideias adquiridas e se converter a Jesus Cristo. Além disso, em pouco tempo haverá uma sociedade totalmente corrompida pelo pecado e a convivência dos crentes em Cristo, a pregação do evangelho da salvação, será cada vez mais difícil.
No fundo espiritual de tudo isto está uma atividade das hostes espirituais malignas para levar cada vez mais pessoas à perdição.
O que precisamos fazer? Primeiramente precisamos conhecer com convicção bíblica o padrão de família instituído por Deus.
I. A FAMÍLIA FOI INSTITUÍDA POR DEUS A PARTIR DE UM MACHO E DE UMA FÊMEA – Gênesis 1:27,28;2:18.
Deus criou o ser humano como um macho e uma fêmea. Não criou dois machos, nem criou duas fêmeas, nem criou um hermafrodita. O próprio Deus disse que não era bom que o homem estivesse só e, por isso, criou uma mulher para ele. Não criou outro homem. Há pouco tempo “correu” na internet um desenho de duas tomadas elétricas, uma para encaixar e outra para ser encaixada e, acima do desenho, vinha a seguinte frase: “Deus criou um macho e uma fêmea, o que passa disso é gambiarra.” Achei interessante porque, realmente, uma gambiarra é uma adaptação. O que o ser humano tem criado há muito tempo, são adaptações grotescas e antinaturais do que Deus instituiu.
Depois de criar o ser humano, Deus os abençoou como macho e fêmea e, tendo abençoado, disse que frutificassem (produzissem filhos) e se multiplicassem enchendo toda a terra. Os filhos são o complemento da família e, conforme o que Deus criou, devem ser formados a partir de um casal. Foi assim que a terra foi povoada e é assim que o ser humano continuará se multiplicando. Não será através do relacionamento de dois homens ou de duas mulheres que os filhos serão gerados, mas será sempre a partir de um homem e uma mulher, mesmo que através de inseminações artificiais.
II. A FAMÍLIA FICOU RESPONSÁVEL POR GUARDAR O MUNDO DO MAL – Gen. 2:15; 3:1-7
Depois de plantar o jardim do Éden, Deus colocou o ser humano ali para lavrá-lo e guardar. Mas, guardar de que? O mal ainda não estava no mundo, aparentemente, não havia de que guardar o jardim. No entanto o mal já estava no universo e havia a possibilidade de entrar no mundo através do próprio ser humano. Havendo Deus criou o ser humano como homem e mulher, e ordenado que produzissem filhos, compreendemos, por lógica, que a guarda do mundo contra o mal estava na responsabilidade da família.
Infelizmente a família falhou e o mal entrou através do primeiro casal e se propagou através de seus filhos também. Um filho matou seu próprio irmão, um descendente matou um jovem que pisou seu pé, a violência e a imoralidade sexual tomou conta da terra até que Deus teve que destruir toda a humanidade, preservando a vida somente de uma família, a de Noé. Novamente Deus colocava na família a responsabilidade de guardar o mundo do mal. Mas logo um filho desonrou a seu pai e teve que ser amaldiçoado, dando origem a povos distanciados de Deus, os cananitas, que povoaram a terra de Canaã e aos quais Deus, depois, mandou que fossem destruídos.
As famílias cristãs precisam ser constituídas como Deus estabeleceu; as famílias cristãs precisam estar atentas para se guardarem do mal. Não podem se deixar levar pelo caminho dos ímpios, que se embruteceram e se tornaram loucos (Jeremias 10:2,8).
III. A FAMÍLIA É RESPONSÁVEL PELA GUARDA DOS MANDAMENTOS DE DEUS – Deut 6:1-9
O mal entrou no mundo, o mundo se deteriorou tornando-se má a imaginação do homem desde a meninice (Gen 8:21) e nada mais pode ser feito,  a não ser os crentes se guardarem e pregarem o evangelho da salvação com a finalidade de que alguns sejam salvos (Judas 20-23).
Os crentes precisam se guardar individualmente, caso sejam isolados das famílias como salvos por Jesus Cristo, mas precisam se guardar como famílias se estão em família convertida ao Senhor Jesus Cristo. Os que desejam constituir família precisam fazer propósitos de constituírem dentro dos princípios de Deus, com a finalidade de serem realmente felizes e de fazerem parte de famílias que guardem os mandamentos de Deus.

Deus ordenou que seus mandamentos fossem guardados e o fossem pela família. Disse ao seu povo: “Para que temas ao Senhor teu Deus, e guardes todos os seus estatutos e mandamentos, que eu te ordeno, tu e teu filho, e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida, e que teus dias sejam prolongados.” Toda a família precisa ser levada a amar ao Senhor Deus de todo o coração, e de toda a alma, e de todas as forças. As palavras ordenadas por Deus precisam ser inculcadas nos filhos em todo o tempo da convivência familiar, e isto pelos pais e avós. Em Efésios 6:4 lemos que os pais devem criar seus filhos na disciplina (paideia no grego) e admoestação do Senhor. 

sexta-feira, 14 de março de 2014

O DÉCIMO SEGUNDO APÓSTOLO

Quem teria sido o décimo segundo apóstolo de fato, Matias ou Paulo? Há os que defendem e ensinam que Matias foi o discípulo que ocupou o lugar de Judas. Baseiam-se no texto de Atos 1:15-26, e ficam a estabelecer raciocínios para não descartar o apostolado de Paulo. Um dos argumentos é o de que Paulo teria sido apóstolo somente para os gentios.
No entanto a crença que Matias seria o décimo segundo apóstolo gera muitas dificuldades quanto a realidades do apostolado e, até mesmo, quanto a aspectos teológicos e doutrinários. Enumero abaixo alguns questionamentos.
1. A escolha de Matias foi uma iniciativa de Pedro (v. 15-20). Apesar de citar as Escrituras a respeito da necessidade de outro tomar o bispado de Judas, tomou para si a prerrogativa de fazer daquele tempo o momento da escolha. É necessário lembrarmo-nos que os apóstolos eram de Jesus Cristo e que foi ele próprio quem os escolheu (Marcos 3.14).
2. Os critérios de escolha foram estabelecidos por Pedro (v. 21,22). Ninguém sabe quais critérios o Senhor Jesus estabeleceu para, dentre seus discípulos, escolher doze homens e ele próprio os chamar de apóstolos. Além disso, Pedro estabeleceu a necessidade de uma pessoa ser escolhida com a finalidade de ser, juntamente com os outros apóstolos, testemunha da ressurreição de Jesus. Mas, quando escolheu os doze, o Senhor os nomeou para “estar com ele e os mandasse a pregar; e para que tivessem o poder de curar as enfermidades e expulsar os demônios”. Um apóstolo de Jesus não era apenas uma testemunha da ressurreição dele.
3. O meio de receber a resposta da oração dirigida ao Senhor foi escolhido pelos discípulos (v. 24-26). Lucas não registra quem tomou a iniciativa de lançar sortes, mas certamente não foi o Senhor Jesus. A iniciativa de Pedro era precipitada e a iniciativa para receber a resposta também o foi. Estava fora do padrão de oração ensinada pelo Mestre: “seja feita a tua vontade e não a nossa”.
4. Crer que a iniciativa de Pedro foi acertada corrobora com a crença da Igreja Católica de que Ele foi o primaz entre os apóstolos e que tomou o lugar de Cristo na terra. Ou seja, corrobora com a crença de que a Igreja de Cristo teve um Papa e que outros, através dos tempos, seriam seus sucessores como representantes diretos de Cristo no mundo.
5. Crer que Matias teria sido o décimo segundo apóstolo cria dificuldades em se compreender o texto de Apocalipse 21:14. “A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e estavam sobre estes os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.” O texto limita o número de apóstolos a doze. Coloca-os como fundamentos da muralha da cidade celestial. Qual o nome que sobraria, o de Paulo ou o de Matias? Um deles está de fora.
6. Crer que Matias teria sido o décimo segundo apóstolo desmerece todos os ensinamentos de Paulo como sendo de um apóstolo de Cristo.  O Novo Testamento está repleto de palavras do apóstolo Paulo que nos explicam o evangelho de Jesus Cristo. As igrejas de Cristo durante séculos se firmaram em seus ensinamentos. A Teologia Moderna tenta de todas as maneiras tirar o mérito dos ensinamentos dele como sendo inspirados por Deus. Hoje já se fala na “Teologia Paulina” como se fosse algo diferente e conflitante com os ensinamentos de Cristo. Crer que ele não foi o décimo segundo apóstolo de Cristo é colaborar com os adeptos da Teologia Liberal, cuja principal crença é a de que a Bíblia não é a Palavra de Deus.

Finalizando, eu creio que Paulo foi o apóstolo de Cristo. Sua chamada foi realizada pelo próprio Senhor Jesus (Atos 9:1-18), e ele próprio testifica isso em suas cartas, como, por exemplo, em Romanos 1:1 onde lemos: “Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus.” Ele não foi somente apóstolo aos gentios. Sempre pregou o evangelho aos judeus, apesar de sempre ser perseguido por eles. Escreveu cartas a crentes judeus e gentios porque cria que há um só povo de Deus, os crentes em Jesus Cristo, o Filho de Deus.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

O ESPÍRITO SANTO COMO AGENTE DE CONVENCIMENTO DO PECADO, DA JUSTIÇA E DO JUÍZO

Quando lemos em João 16.8 que o Consolador convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo, ficamos com duas dúvidas na mente: Se o Consolador já veio e o mundo não está convencido do pecado, da justiça de Deus e do seu juízo, teria Ele falhado em sua missão? Ou Jesus teria errado em sua promessa?
Também ficamos confusos quanto as ações do Espírito Santo com vistas ao convencimento do mundo. Agiria por Ele só na consciência das pessoas com argumentos que levariam o mundo ao reconhecimento do pecado e se arrependeriam em suas totalidade?
Ao que parece muitos crentes hoje pensam assim e, deixando a pregação do evangelho de Jesus Cristo de lado, somente agem como servos de Cristo como se isso fosse o suficiente, já que o mundo será salvo pelo convencimento produzido pelo Espírito Santo.
No entanto nem o Consolador falhou em sua missão, nem Jesus errou em sua promessa, nem o convencimento se dá pela ação do Espírito Santo por si só na consciência das pessoas. E isto pode ser constatado através de um exame acurado do texto, tendo como base a análise do significado da expressão grega que foi traduzida por "convencerá".
Conforme Strong, James: Léxico Hebraico, Aramaico E Grego De Strong. Sociedade Bíblica do Brasil,) ελεγχω (elegcho) significa "sentenciar, refutargeralmente com implicação de vergonha em relação à pessoa sentenciada por meio de evidências condenatórias; trazer à luz, expor, achar falta em; corrigir pela palavra; repreender severamente, ralhar, admoestar, reprovar; exigir prestacão de contas, mostrar para alguém sua falta, exigir uma explicação;corrigir pela ação, castigando, punindo."
Note-se que a expressão traz sempre a idéia de ações severas de repreensão, refutação, correção pela palavra, exigências, castigos e punições. Martinho Lutero, conforme Luther Bibel 1545 Die Gantze Heilige Schrifft. Sociedade Bíblica do Brasil, 1545; 2005, traduz ελεγχωpor repreender. A tradução, então, ficaria assim: "E, quando ele vier, repreenderá o mundo por causa do pecado, e da justiça e do juízo."
Examinando outros textos em que ocorre a palavra ελεγχω, podemos constatar que é sempre no significado de repreensão e condenação. Observe-se:
Em Mateus 18.15 - Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só
Em Lucas 3.19 - Sendo, porém, o tetrarca Herodes repreendido
Em João 3.20 - Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz e não vem para a luz para que as suas obras não sejam reprovadas.
Em Efesios 5.11 - E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas, antes, condenai-as.
Em 1Timóteo 5.20 - Aos que pecarem, repreende-os na presença de todos
Em Apocalipse 3.19 - Eu repreendo e castigo a todos quantos amo

As palavras de Jesus são muito mais contundentes do que "convencer". Ele estava falando de uma ação de repreensão, sentenciamento e correção pela Palavra pregada sob o poder do Espírito Santo e, também, condenatória, no sentido de punição pelo erro. Ação, também, de trazer à tona para o indivíduo o seu próprio erro e fazê-lo se envergonhar, abrindo caminho para a possibilidade de humilhação diante de Cristo e consequente arrependimento e pedido de perdão pelos pecados.

Creio que tendo lido e compreendido o texto conforme o Senhor Jesus declarou, muda todo o nosso posicionamento quanto à pregação da Palavra de Deus. Não vamos ficar pregando ao pecador apresentando-lhe amenidades, fugindo de falar a respeito do pecado, da necessidade de arrependimento. Nem vamos ficar agindo socialmente ou misticamente somente, esperando que o Espírito Santo convença por Ele mesmo. Ao contrário, compreenderemos que o convencimento vem através da repreensão, da apresentação da sentença afirmada por Jesus de que quem não crê nele já está condenado. Através da pregação da Palavra estaremos sendo usados pelo Espírito Santo em um verdadeiro combate contra as trevas.
Além disso, nos dará a visão de que não podemos realmente nos conformar com o mundo, que está no pecado, precisando da justiça de Deus manifestada em Jesus Cristo e à mercê do juízo divino pois tem como príncipe o maligno que já está condenado.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O RECEBIMENTO DO ESPÍRITO SANTO

Pr. Dinelcir de Souza Lima
Talvez uma das maiores dificuldades de compreensão da doutrina do Espírito Santo esteja na falta de visão da diferença entre as expressões batismo e recebimento e, consequentemente, também na falta de compreensão a respeito da diferença entre o batismo no Espírito Santo, e o recebimento do Espírito Santo. Inicialmente devemos logo observar que a expressão batismo é referente a estar completamente imerso, completamente tomado, completamente mergulhado, completamente envolvido; e que a expressão receber é referente a ser alcançado por algo, obter ou alcançar algo, tornar-se o receptáculo de algo.

Deve ser observado, ainda, que as idéias são completamente diferentes e que, quando confundidas, podem trazer sérios problemas doutrinários e, até mesmo, dificuldades na vivência de um cristianismo autêntico. Tão sério pode ser o problema de confusão entre o batismo e o recebimento do Espírito Santo, que igrejas já capacitadas para a obra de evangelização, para cumprir o seu papel de apresentar Jesus ao mundo, podem estagnar dedicando-se a intermináveis atividades de busca de um batismo inexistente para seus membros. Também indivíduos convertidos podem estancar o fluxo da pregação individual do evangelho a outros indivíduos, podem estagnar no aprendizado das doutrinas bíblicas, no cuidado e fraternidade com seus irmãos, ao lançarem-se em um frenesi inconseqüente, buscando algo que já receberam há muito tempo.
Neste estudo, deveremos observar a diferença entre recebimento e batismo no Espírito Santo, quem recebe e como recebe o Espírito Santo.

QUEM RECEBE O ESPÍRITO SANTO

Atualmente existem idéias muito estranhas no meio evangélico a respeito das pessoas que podem, ou devem, ou recebem o Espírito Santo. Uma delas é a de que só recebe o Espírito Santo aquele indivíduo que já foi batizado “nas águas”. Contra esta argumentação lembramos o fato de que o Espírito Santo veio sobre os da casa de Cornélio antes de serem batizados (Atos 10:44-48). Outra é a de que só recebe o Espírito Santo quem se dedica a intensos períodos de jejum e oração. Contra esta idéia também podemos citar a manifestação na casa de Cornélio, bem como todas as outras três manifestações registradas no Novo Testamento, onde, em nenhum momento os que foram alvo da manifestação do Espírito Santo estavam orando ou jejuando, pedindo o recebimento. Na casa de Cornélio o apóstolo Pedro estava pregando; em Samaria os samaritanos não estavam nem se importando em receberem ou não o Espírito Santo; em Jerusalém estavam todos assentados, quietos, e, em Éfeso, ninguém também pediu manifestação alguma.
Definitivamente não há na Bíblia nenhum ensinamento ou fato registrado que direcione o crente a buscar receber o Espírito Santo. O que encontramos, na realidade, é um tipo só de ensinamento: que recebe o Espírito Santo todos os indivíduos que creem em Jesus Cristo. Vejamos os seguintes exemplos e ensinamentos bíblicos.

1. O apóstolo João afirmou que recebem o Espírito Santo os que crêem em Jesus - João 7:39. Ele registrou a promessa do Senhor Jesus de que enviaria o Espírito Santo e explicou que receberiam o Espírito Santo os que cressem em Jesus.
2. O apóstolo Pedro pregou a necessidade de crer em Jesus para o recebimento do dom do Espírito Santo - Atos 2:38. Diante da pergunta sobre o que fazer tendo o pecado de matar a Jesus Cristo, ouvintes compungidos ouviram do apóstolo Pedro a resposta: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo”. Arrependimento e batismo só são válidos para Cristo, se forem precedidos pela crença em Jesus como Salvador.
3. O apóstolo Pedro afirmou que recebeu o Espírito Santo quando creu em Jesus - Atos 11:17. Apresentando sua defesa à igreja de Jerusalém a respeito do motivo de ter batizado Cornélio e os da sua casa, o apóstolo diz: “Portanto, se Deus lhes deu o mesmo dom que a nós, quando havemos crido no Senhor Jesus Cristo...”
4. O apóstolo Paulo tinha a convicção de que o indivíduo recebe o Espírito Santo quando crê em Jesus - Atos 19:2. A pergunta do apóstolo aos doze discípulos de João Batista, não deixa qualquer dúvida quanto à sua convicção: “Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes?”
5. O apóstolo Pedro afirmou que o Espírito Santo é dado quando o indivíduo se arrepende e é batizado em nome de Jesus Cristo - Atos 2:38. Ou seja, quando crê em Jesus Cristo e manifesta ao Senhor Jesus esta crença através do batismo. Devemos lembrar que não há batismo autêntico sem crença em Jesus Cristo e que o batismo, nos primórdios, era concomitante ao ato de arrependimento dos pecados e crença no Senhor Jesus Cristo.
6. O apóstolo Paulo foi cheio do Espírito Santo ao ser batizado - Atos 9:17,18. Lembrando do que dissemos anteriormente, que o batismo era um ato concomitante à crença, à entrega a Jesus Cristo, vemos o orgulhoso Saulo entregando-se ao batismo através de um obscuro (para ele) crente em Cristo, Ananias, o que manifestava, a Jesus Cristo, a sua entrega real como servo de Cristo.

COMO O CRENTE RECEBE O ESPÍRITO SANTO

Porque houve em Jerusalém, no dia de Pentecostes, manifestações visíveis e audíveis no batismo com o Espírito Santo, e, também, porque há em religiões animistas mani-festações físicas e lingüísticas quando um indivíduo fica incorporado por uma entidade espiritual, foi desenvolvida a idéia de que uma pessoa, ao receber o Espírito Santo, também precisa passar por manifestações físicas e lingüísticas.
Não é verdade. A Bíblia não registra nenhum comportamento sobrenatural dos servos de Jesus Cristo quando receberam o Espírito Santo. Como pudemos ver nas duas lições anteriores, no dia de Pentecostes os discípulos não receberam o Espírito Santo, mas a igreja de Cristo foi batizada.
Podemos dizer com certeza que não receberam o Espírito Santo naquele dia, porque há uma passagem bíblica que afirma terem ele recebido o Espírito Santo antes de Jesus subir para a presença do Pai. Em João 20:21,22 lemos: “Disse-lhes pois Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.”
Os discípulos de Jesus receberam o Espírito Santo antes de acontecer o batismo no dia de Pentecostes, e o texto transcrito acima não faz qualquer referência a acontecimentos sensacionais, milagrosos, estapafúrdios, quando do recebimento providenciado por Jesus. Atualmente, alguns indivíduos estão utilizando este texto para assoprarem sobre outras pessoas e afirmarem que assim eles estão fazendo com que recebam o Espírito Santo. Também não é bíblico tal comportamento. Não foi nenhum discípulo quem assoprou sobre os outros, mas o próprio Senhor Jesus Cristo, num ato que demonstrava estar deixando para seus servos, para aqueles que creram nele, do seu próprio Espírito, tal como prometera anteriormente (ver João 14:16).
O crente recebe o Espírito Santo sem qualquer manifestação exterior, como uma dádiva do Senhor Jesus Cristo, quando ele entrega-se a Jesus Cristo como Salvador e Senhor, entrega essa que é manifestada através da submissão ao batismo que foi ordenado por Jesus. Isto é o que expressa o apóstolo Paulo, quando, escrevendo aos crentes da Galácia, demonstra que o recebimento do Espírito Santo não é por obras, mas pelo ouvir com fé (Gál. 3:2).
CONCLUSÕES

1. Ficar a buscar recebimento do Espírito Santo depois de receber Jesus Cristo como Salvador, é imaturidade cristã, é falta de reconhecimento de que Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo são uma só pessoa. Como poderia alguém receber Jesus como Salvador, recebendo-o para habitar em seu ser, e depois receber o Espírito Santo como se fosse uma outra pessoa divina?

2. Jesus, após sua ressurreição, voltou à presença do Pai onde está até hoje e de onde só voltará no dia do juízo final. Mas também afirmou que estaria com seus servos todos os dias, até que os séculos se consumassem. Afirmou também que, onde estivessem duas ou três pessoas reunidas no nome dele, aí ele também estaria. Como pode ser isto? Como poderia Jesus estar no céu sendo prometida sua volta conforme foi sua subida, conforme está registrado em Atos 1:11, e habitar em cada um que o aceita como Salvador? Só há uma resposta bíblica e lógica para esta questão: Jesus habita nos seus servos na pessoa do seu Espírito. Quando alguém recebe Jesus em sua vida, recebe na pessoa do Espírito Santo.